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O arco-íris

July 5, 2016

Publicado originalmente no blog no ar

 

Era um sábado de manhã. Dia e hora em que o mundo se enche de esperança pela promessa, na maioria das vezes não cumprida, de um fim de semana feliz. Os salões de beleza, os parques, os botequins, as janelas abertas respiravam a atmosfera do sábado.

              

Estava em casa, tomado por preguiçosos pensamentos sobre o que fazer ou, principalmente, não fazer. A campainha tocou. Com agradável surpresa, vi pela janela a figura do Raimundo. Poucos homens que conheço alimentam mais o menino do que Raimundão. Encontrar com ele é sempre rever o melhor da infância.

 

Raimundão tinha uma proposta. Fazer uma pequena viagem de Varginha até Silvanópolis. A cidade se chamava Santana até meados dos anos 70. Algum prefeito resolveu mudar o nome do lugar. Mas para o povo, Silvanópolis será sempre Santana. A caminho de Santana, no carro do Raimundão, fico sabendo dos detalhes da viagem. Ele ia à procura de Seu Nendes, o líder dos congadeiros. Queria acertar uma participação do grupo no cd que estava finalizando.Raimundão além de menino, é também compositor e cantor.

        

 

Uma hora depois lá estávamos nas ruas de Santana atrás de informação sobre onde encontrar seu Nendes. Não demorou muito para chegarmos a casa simples, no meio de uma ladeira. Era preciso esperar por seu Nendes, que estava acertando detalhes de uma festa na casa paroquial. Da varanda da casa, apreciamos a paisagem das montanhas e os tons da tarde.

 

Não percebemos o tempo passar. E foi com surpresa que vimos chegar um homem negro, alto, corpulento, aparentando seus 70 anos. Seu Nendes tinha uma fala mansa, tudo nele convidada a calma.Com elegância nos convidou a entrar. A casa era simples. Nos sentamos num sofá de frente para uma televisão sintonizada no tradicional jogo de sábado à tarde que um sobrinho de seu Mendes assistia despreocupado. Com a paciência que lhe é habitual, Raimundo fez sua proposta. Uma conversa entremeada de leves silêncios. Seu Nendes tudo ouviu, quis saber detalhes, perceber as intenções. Saímos de lá com a gravação acertada. .

 

Nos despedimos de seu Nendes com uma sensação de benção.  De bem com que a a vida tem de melhor e impressionados com a dignidade daquele homem. Antes de deixar Santana, Raimundão propôs degustarmos um tradicional pastel de milho. Alimentados, olhamos a tarde. Caia uma chuva e ainda fazia sol.

 

Foi na estrada que deus nos brindou com um presente inesquecível. O arco íris mais bonito que meus olhos já viram. A sensação, compartilhada com Raimundão, era de a gente entraria dentro do arco íris e já nos sentíamos em outra dimensão. Naquele momento, naquele sábado, uma porta se abriu. Com os olhos cheios de tranquilidade e vivacidade, Raimundão cunhou a frase que deu sentido a experiência: " O ouro no fim do arco-íris são as pessoas".

 

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